terça-feira, 26 de agosto de 2008

MEMORIAL DESCRITIVO

MEMORIAL DESCRITIVO

Relato da minha trajetória de vida, sob um olhar sensível, reflexivo e profundo.
Ao revisitar o passado e rememorar o presente, sinto-me desafiada e, ao mesmo tempo, tomada por uma forte emoção, pensando no grande compromisso que tenho comigo mesma ao mergulhar no passado, relembrar e relatar sobre minha infância, adolescência e idade adulta. Realmente é preciso superar certos desafios para discorrer sobre minha história em seus diversos contextos.
Já me sinto movida pela grande responsabilidade, confesso que também um certo receio, diante de tamanho compromisso ao ser expectadora da minha própria história. Lágrimas furtivamente insistem em fazer parte desse mágico momento, recheado de recordações que se apresentam como se estivesse assistindo a um filme, onde a principal personagem se coloca nas diversas interfaces e vem à tona muitas cenas: sonhos, realizações, perdas, ganhos, tristezas, alegrias, medos, ousadia, frustrações, conquistas enfim. Uma vida desvelada.
Penso que cada um vê com os olhos que tem e interpreta a partir de onde os pés pisam.
Sendo assim, co-autora da minha própria história, percebo-me e coloco-me em profunda reflexão sobre as lições e leituras da vida, do mundo e da minha própria trajetória.
Então vamos lá. Onde? Vamos até Mariano Pinto, município de Alegrete, região da Fronteira Oeste, do Estado do Rio Grande do Sul. Lugar onde nasci, no dia 16 de setembro de 1955, sob os cuidados da parteira vó Maurícia. Recebi o nome de Marlene, este é o meu nome de registro e batismo, como todo mundo tem seu nome próprio e às vezes tem o nome de família, eu não sou uma exceção. Meu nome próprio de batismo e de registro é Marlene da Silva Noetzold, escolhido pelo meu pai e o meu nome de família é Lena, escolhido pelo meu primo mais velho, o seu Doca, como o chamamos. Ele é portador de NEEE. No ambiente de trabalho, sou Marlene, no ambiente familiar, sou Lena.
Meus pais: Ibo tavares Noetzold e Zélia da Silva Noetzold. Meu pai, trabalhador incansável, enfrentou muitos desafios que não foram poucos, mas sempre com serenidade e equilíbrio, ele não era de muita fala, mais observador, mas quando se manifestava, era muito sensato e respeitoso. Meu pai era agricultor, plantava arroz, trigo e soja. Bem cedo, madrugada já estava na luta: plantava, colhia e carregava a produção, consertava as máquinas. Às vezes fico pensando, ele tinha até 3º ano do antigo primário, mas era de uma sabedoria, lia muito, discutia e nos desafiava sobre qualquer assunto. O que mais eu admirava em meu pai era seu lado humano, solidário, generoso e muito justo. Ele sempre nos dizia que a maior herança que ele nos deixaria eram os estudos; não mediu esforços em nos proporcionar estudos e nos acompanhar e cobrar resultados. Lembro de muitos momentos, pela manhã, ele e minha mãe preparavam um café bem campeiro, ele separava no seu prato, uma parte para mim, deixava com muito carinho, pois eu não gostava de tomar leite, ele também. Então nosso café era um pouco diferente. Íamos para a lavoura, minha irmã e eu para ajudá-lo a nivelar a lavoura, às vezes vínhamos para casa só na hora das refeições, mas aquele trabalho era prazeroso e divertido.
Minha mãe estava sempre preocupada com o nosso bem- estar e com a organização da casa, figura de aparente fragilidade, sempre nos surpreendeu pela sua fortaleza ao enfrentar os desafios, muito próxima a nós, companheira de todas as horas, felizmente ainda ela compartilha de muitos momentos conosco.
Bem cedo enfrentava um intenso dia de trabalho, além dos afazeres domésticos. Também ajudava em outras atividades. Interessante, apesar das muitas tarefas, ela tinha tempo para nós, tempo carinhoso. Lembro que juntas ( com minhas irmãs e eu ) fazíamos tapetes de fuxico, de retalhos, um trabalho conjunto, com muita parceria e cumplicidade. Hoje eu entendo, íamos tecendo tapetes, colchas e ao mesmo tempo íamos tecendo histórias de vida, das nossas vidas entrelaçadas de afetos e amorosidade. Quando éramos pequenas, ela também nos reunia após o jantar para jogarmos com pião de madeira o jogo RAPA ( até hoje tenho o pião guardado com muito carinho ). Ela também nos cobrava os serviços da casa e os estudos, só podíamos ler revistas de fotonovela e romance, se estivéssemos em dia com os afazeres, comportamento e boas notas.
Eu sou a segunda das cinco filhas. Tenho quatro irmãs. Minha primeira irmã Ilza ( professora de Educação Infantil e alfabetizadora ) foi minha colega de aula até o Magistério. Temos um vínculo muito forte de carinho e companheirismo. Ilza é casada com Leonaldo e mãe de Marcelo, meu primeiro afilhado. Zenir é minha segunda irmã. Acadêmica de Direito, trabalha no Foro em Santa Maria, casada com Clovis Airton, mãe da Inerich, Matheus e Isadora. Marilene, 3ª irmã, professora de educação Física, casada com Edgar, mãe de Bruno. Mora em Alegrete.
Vejo-me, então, na casa onde nasci e cresci, onde engatinhei, balbuciei, andei, falei. Na verdade andava com certa segurança e não falava, minha mãe sempre comenta.
Aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minhas primeiras leituras. Tive uma infância carregada de emoções, amor e carinho. Fui muito feliz em relação aos meus primeiros afetos de convivência familiar, pai, mãe, irmãs, primos(as), tios (as) e a avó paterna, a vovó Vicentina.
Meu pai tinha sociedade com meus tios, todos com famílias bem numerosas, se formara um pequeno vilarejo familiar. Nós crescemos juntos, organizávamos brincadeiras, muitas brincadeiras e aprontávamos muito. Esta infância de convívios agradáveis entrava em sintonia com a natureza. Desta natureza faziam parte os animais, as plantas, os córregos. Das pessoas, todas aquelas que eram presenças significativas no meu dia-a-dia. Do meu mundo imediato fazia parte o universo da linguagem das mais vívidas que expressavam suas crenças, receios, valores e culturas.

Conforme Paulo Freire:
“Toda criança que um dia fica” grande” e “vira” uma pessoa adulta”, carrega pela vida a fora o menino ou menina que ela foi antes.”
Fazendo uma reflexão sobre a citação de Paulo Freire, penso que realmente as experiências vivenciadas na infância, nos acompanham, muitas vezes por longas datas e por que não, ao longo da vida. Eu lembro que na minha infância eu tinha muitos medos. Pensando bem, qual criança não teria medo naquela época? Pois éramos mais ingênuos(as) e os adultos adoravam contar histórias de assombração,fantasma, alma penada, vozes do além. Eram as pessoas grandes que ensinavam as crianças a terem medo, muitos medos. Lembro que muitas noites envolvida no meu próprio medo esperava que o tempo passasse, que a noite se fosse e que o dia chegasse, trazendo com ele o canto dos passarinhos. Aquele era um tempo até um pouco parecido com o de agora, mas também muito diferente. Não havia luz elétrica, telefone, computadores. As noites eram longas, no silêncio se ouvia o ruído da casa, o barulho do vento, o grito do quero-quero. Muitas vezes o relógio que nos despertava de manhãzinha, era o canto dos passarinhos, o mugido dos animais, o latido dos cães. Num contexto em que a vida vive a sua história, se aprende sempre um pouco por dia, vivendo com carinho e simplicidade, valorizando cada momento de cada minuto, de cada hora, de cada dia da vida da gente. É bem isto que na minha infância aprendi antes de ir para a escola. Na escola aprendi outros ensinamentos, coisas do mundo real e também do imaginário e aos poucos fui ficando com menos medo das coisas que existem e das que não existem.
Iniciei minha vida de estudante de maneira bem informal, pois minha tia Alvina, a primeira irmã de meu pai, ensinava minha irmã Ilza, eu ficava perto querendo aprender e acabava sempre atrapalhando muito, pois me diziam, que era para eu ir brincar, que eu ainda não tinha idade para aprender. Venci pela teimosia, minha tia acabou me incluindo nas aulas. Aprendi o alfabeto e algumas palavras eu adorava ler e escrever, me sentia importante. Como minha tia dispunha de pouco tempo, passamos a estudar com Dona Manoela, esposa de um funcionário de meu pai. Era muito diferente da minha tia, que era calma e se fazia entender. Dona Manoela era rigorosa, não admitia erro, não tinha o mínimo de paciência. Lembro que passei a detestar os cadernos, aquelas aulas e passei a ficar muitas vezes no castigo, meus primos e minhas irmãs iam para casa e eu ficava. Eu não gostava de fazer cópias, nem repetir muitas vezes muitas vezes as palavras, estava bem rebelde. Um dia ela pediu para eu encher a página com o meu nome. Fiz meu nome uma única vez do tamanho da página, ela furiosa me perguntou o que era aquilo? Ela ficou descontrolada e aos gritos me colocou no castigo novamente. Além do sofrimento do castigo, ela me deixava até o cair do sol, pois ela sabia que eu tinha medo de ir sozinha para casa. Pior quando chegava em casa, só de lembrar quando chegasse em casa, o relhinho ( laranja ou lilás? ) me pegaria, eram relhos artesanais, feito por presidiário, o laranja era mais macio, doía menos, mas o lilás era um tormento, doía muito. Eu ficava só pensando qual será hoje, o laranja ou o lilás que estava a me esperar? Eu tinha verdadeira aversão por aquela senhora, chegava a dizer que eu nunca iria ser professora. Felizmente não demorou muito, nos livramos da Dona Manoela, já estava com 9 anos e minha primeira irmã já freqüentava a Escola Rural Mariano Pinto, então meu pai resolveu me matricular também nesta escola. Lembro, estava muito ansiosa e ao mesmo tempo me sentindo “gente grande”, pois ia estudar em uma escola de verdade. Minha irmã contava muitas histórias, ela adorava a escola, colegas e principalmente a professora. A escola era de classes multisseriadas de 1ª série a 5ª série. Foi então que eu tive o privilégio de conhecer a professora Dádila Corrêa Silveira, que me recebeu carinhosamente, com atitude de respeito, considerando o meu grau de conhecimento, me proporcionou algumas provas, constatando que eu poderia ingressar na 2ª série, pois estava apta, conforme resultado das avaliações. Dádila era e ainda é uma pessoa encantadora. Profissional competente que dava conta com muita tranqüilidade de atender as diversas séries, também era Diretora, Supervisora, Secretária, Merendeira, e excelente Orientadora. Incentiváva-nos aos estudos, à leitura, solidariedade e amor ao próximo. Nós tínhamos prazer em estudar naquela escola. Como morávamos longe, íamos de cavalo, minhas primas e nós éramos um grande grupo, nos divertíamos muito, apesar da saída muito cedo, 7 horas já estávamos a caminho da escola. O que me deixava muito contrariada e triste era quando tinha que faltar à escola involuntariamente, pois minha irmã Zenir e eu tínhamos que freqüentar em dias alternados porque nossa primeira irmã Ilza é que nos levava na “garupa” da petiça.
A querida professora Dádila a quem tenho eterna gratidão pelos seus ensinamentos, agradeço pelos bons momentos na minha trajetória de estudantes. Hoje ela é Orientadora Educacional, muitas vezes nos encontramos em reuniões e ela orgulhosamente fala que foi minha professora, hoje colegas. Sua filha, Luz Marina também é professora e minha colega na Escola Lauro Dornelles. Lembro com muito carinho dessa época.
Meus pais foram muito presentes, carinhosos, cuidadosas e cobravam com certo rigor os estudos. passaram muitos valores que preservo e tenho como referência de vida. Quando fazia algo errado, era cobrada. Meu pai conversava, passava um sermão “daqueles”, que fazia a gente perder o fôlego.
Durante a minha infância e adolescência, foram muitos os momentos de alegrias e diversões. A casa de meus tios era próxima da nossa, à tardinha organizávamos diversas brincadeiras, jogos, íamos nadar no córrego, andar a cavalo, comer pitanga no matinho que ficava próximo às casas. Também adorávamos pescar. Além das brincadeiras, tínhamos compromissos com os estudos e afazeres domésticos. Meu pai à noite costumava tomar a lição do dia, tínhamos que relatar o que havíamos feito na escola, ele também marcava tabuada para determinado dia, quem não soubesse ficava fora das brincadeiras até aprender.
Apesar de morar no interior, tínhamos muitas oportunidades de passear junto com nossos pais. Meu pai gostava de participar de comícios, jogos de futebol, jogava no time local, gostava de carreiras de cavalo, tinha uns cavalos lindos.
Meu pai gostava muito deles, ele vinha quase que semanalmente à cidade, levava jornal, revistas, livros e nós adorávamos, quando ele chegava, sempre com alguma novidade. Meu primeiro sentimento de perda foi aos 10 anos quando me deparei com a separação de meus primos(as), tias(os). Eles resolveram separar a sociedade e cada um seguir seu caminho. Adquiriram terras em lugares diferentes. A separação foi dolorosa, profunda, sofrida, por todos nós. Nossa família foi para o rincão da Chácara, um local muito isolado, era um recomeço de vida. A terra excelente para plantação, mas um fim de mundo, só se via arbustos, mato e alguns animais considerados selvagens, que ao entardecer se aproximavam da nossa casa, tínhamos que recolher alguns animais domésticos porque com freqüência eram devorados por gatos do mato, jaguatiricas... foi um tempo difícil de readaptação.
Sentíamos muita falta das nossas brincadeiras, do convívio, daquele lugar cheio de vida onde a parceria e a cumplicidade era o nosso lema. Minha mãe muitas vezes era surpreendida pelas lágrimas, disfarçava, com certeza sofria calada, sentia muita saudade. Então nos deparamos com outro desafio, a falta de escola naquele local. Tivemos que nos separar de nossos pais e das duas irmãs menores. Minhas irmãs Ilza, Zenira, e eu fomos morar com nossas tios Alvina e Gringo. Tínhamos adquirido terra perto da Escola, onde nós já estudávamos. Foi também um tempo doído, esta separação nos abateu muito. Moramos por três anos com nossos tios, nossos pais vinham nos ver, nós também íamos vê-los. Quando chegava as férias ficávamos felizes em retornar para casa. Apesar de meus tios nos acolherem com toda a atenção e carinho, a casa dos pais era o melhor lugar.
Meus tios eram pessoas muito especiais, lembro de tantos momentos que marcaram minha infância e adolescência. À noite nos reuníamos para ouvir as instigantes histórias e causos que meu tio contava, ele era um exímio contador de histórias e causos, que cativava a nossa curiosidade, porque eram cheios de mistérios e de uma riqueza de detalhes, que nos deixava fascinados (as) .
Minha tia gostava de recitar poesias, cantar hinos sabia muitos hinos, relatava livros que havia lido, contava sobre sua infância. Ela tinha um romance “Genoveva”, era o título, uma relíquia, só tínhamos o direito de lê-lo depois de uma certa idade e aos finais de semana. O romance era disputado entre nós, pois era carreagado entre nós, cheio de emoção, mistério, eu o li muitas vezes. Interessante aquelas muitas histórias tinham sempre uma reflexão ou lição de vida, da moral, dos bons costumes. Meu tio mora lá fora, na casa onde morei um tempo. Meus 3 primos e 4 primas estão casados, têm filhos e moram alguns aqui em Alegrete, outros no interior. Minha tia já faleceu deixando muita saudade. Lembro, éramos doze, dez entre crianças e adolescentes e mais meus tios. Na casa de meus tios também tínhamos muitos compromissos: estudos, trabalhos domésticos e também brincávamos. Éramos dez mais a gurizada da vizinhança, era uma festa, numa dessas brincadeiras subi numa árvore para esconder-me do grupo e caí, levei oito pontos na parte interna da mão esquerda. Passei por momentos difíceis. Felizmente recuperei os movimentos.
Antes de crescer, o muito que faltava para virar “gente grande”, vim morar na cidade de Alegrete, com treze anos. Precisava dar continuidade aos estudos. Mais uma vez enfrentei a dolorosa separação, ansiedade e insegurança ao deparar-me com o novo, outra realidade completamente diferente.
Minha irmã Ilza e eu prestamos exame de admissão na Escola Patriarca e Divino Coração. Fomos aprovadas e, em 1969, ingressamos no Ginásio na Divino Coração, colégio de freiras. A diretora, na época, era a Irmã Glória, de estatura frágil, circulava pela escola de maneira tão silenciosa que nem a percebíamos, quando se aproximava da gente. Era de uma calma, delicadeza e postura admirável.
A educação era bastante rígida, carregada de espiritualidade e valores. Tinha belas e marcantes recordações dos quatro anos que tive o privilégio de estudar nesta escola. Também pela organização, qualidade e oportunidade de participação no esporte, fazia parte do time de niwcon (semelhante ao vôlei) e handebol. Também participava do auditório e teatro. Fiz muitas amizades, algumas com o tempo perdi o contato, outros (as) de quando em quando, ao acaso nos encontramos. Era uma turma muito unida e divertida que levava a sério os estudos. Era uma escola com regras bem rigorosas, até o cumprimento das saias do uniforme era estabelecido um padrão de cumprimento, quem transgredisse, a saia era desbarrada, recebia agulha e linha e passava para a sala de artes para refazer a barra, dava muito choro e pavor, pois muitas meninas não sabiam fazer barras e tinham que voltar para casa (MM, Maria M.) como as outras meninas caçoavam. Era uma obrigatoriedade o uso do uniforme, distintivo e cinto vermelho, éramos chamadas de bombeiras, portanto não aprovávamos o cinto e muitas vezes voluntariamente esquecíamos em casa e muitas garotas entravam e atiravam pela janela para as colegas. Uma vez a colega Vânia e eu tivemos que pular a janela que dava para o jardim e ficar às escondidas, pois havia uma operação uniforme e nós éramos daquelas que muitas das colegas atiravam o cinto pela janela. Nossa turma tinha muita cumplicidade, muitas vezes fiz prova de Francês no lugar da minha irmã Ilza, pois ela detestava Francês e, para nossa sorte, a irmã Angelina nos confundia muito. Ela costumava fazer prova oral, dividia a turma em dois grupos, um em cada dia, eu fazia prova no primeiro dia e segundo dia. Impressionante a turma se divertia, mas ninguém entregava.
Quando lembro da minha infância e adolescência, me vem a mente um texto de Jaqueline Monteiro “A Saia de Bolsinhos”, esse texto foi inspirado no livro “Mulheres” de Eduardo Galeano.
“... e das profundidades desta saia vão brotando as andanças e os amores do bicho humano, que vai dizendo, que dizendo vai.
Era uma figura estranha, com uma saia comprida, toda de retalhos, e cheia de bolsinhos que davam muita curiosidade.
Era uma figura dessas que parece que saiu de outra época, mas que traz mensagens atemporais. De que vivia? Contando histórias, para adultos e crianças, por todo canto. Mas afinal como é que acontecia essa mágica?
Dizem que perambulava pelo mundo, aparecendo em momentos especiais, quando alguém estava a precisar de alguma palavra que sacudisse a poeira da alma, ela aparecia exalando perfume de terra e de verde, dos bolsinhos saíam papeizinhos que contavam histórias de amores, andanças.
Algo mágico, que só acontecia quando se deparavam olhares humanos sedentos de novas respostas para velhas perguntas, de novos caminhos para os mesmos destinos.
E, a cada encontro dos olhares humanos com a mulher da saia de bolsinhos, se misturavam culturas, se criavam novas histórias que seriam carregadas mundo afora, compartilhadas, renovadas,alimentando esperanças, crenças, sonhos e tudo aquilo que estivesse congelado pelo tempo, pela descrença, pelos egoísmos e exclusões.
O nome dessa mulher era Vida”.
A saia de bolsinhos foi na verdade um texto criado como provocativo aos nossos bolsinhos internos, das histórias nossas e outras que trocamos e acabamos esquecendo-as, abandonando-as, desvalorizando-as. É uma alusão à simplicidade da vida, que constrói nossas identidades humanas e só acontece no contato com o outro, na plenitude de sua diversidade e cultura. A personagem Vida traz a proposta de quebra de paradigmas, de escutas que nos permitam mudanças a partir de nossas ações.
Os contos há muito tempo encantam as pessoas, por espalharem mensagens de modo sensível. O mais interessante é podermos perceber que todos nós temos contos para trocar e espalhar, basta contarmos algo racional com o coração. Eles carregam consigo algo parecido com os contos de fadas para as crianças, eles trabalham no subjetivo, a nossa crença de que é possível, o otimismo, a persistência, o respeito ao outro e a coragem para buscar soluções.
Pensar em afetos possíveis, também nos espaços de educação é romper com as desqualificações dos contos próprios e dos outros, das histórias de vida que possibilitam construções de cidadania.
No final de junho de 1971, numa festa junina da Escola GDC, conheci Nelson, meu marido. Foi amor a primeira vista, nossos olhares se cruzaram e houve uma química arrebatadora, algo estranho, causando inquietude, ansiedade, medo, alegria, coração acelerado, um certo descompasso emocional. Na hora da discoteca, ele se aproximou e me convidou para dançar, lembro da música “Reflexos de minha vida”. Logo após a dança, me afastei porque pensei que ele era namorado de uma colega de aula, pois eles haviam chegado juntos na festa, nunca imaginei que eram irmãos, pois andavam de mãos dadas. Entrei em férias, fui para o interior na casa de meus pais, passei todo o mês de julho. Esta foi com certeza as férias mais longas de todos os tempos, pois não conseguia parar de pensar naquele “príncipe”, sentia medo daquele sentimento que aos poucos invadia meu coração. Quando retornamos em agosto, mudamos da casa de uma prima, para o apartamento de um colega casal. Dona Eloá e Seu Luís, na rua Gaspar Martins. Apesar de todo o envolvimento, mudança, acomodação, adaptação, eu não me aquietava, estava sempre a procurar por aquele que eu sabia apenas o nome, mas que já era dono do meu sentimento, do meu coração. Mas inexplicavelmente o destino nos aproximou, pois Luis Felipe, filho do casal que nos recebera, era colega de trabalho do “dito cujo” e em conversa, no trabalho, Luís comentou que havia chegado três meninas na hospedagem, logo pelo nome, Nelson descobriu que uma das meninas era a que ele havia conhecido na festa. Enviou-me uma fotografia muito interessante, em três poses. Não deu outra, na mesma noite tocou a campainha e a turma pediu que eu fosse atender, quase entrei em colapso, fiquei sem voz, tamanha foi a emoção, senti que ele também estava muito tenso e emocionado. Iniciou-se um namoro às escondidas, dizíamos que éramos bons amigos para o casal Seu Luís e Dona Eloá . A turma sabia do namoro e dava a maior força.
Nelson já freqüentava a casa pois era amigo e colega do casal, portanto não causava dúvida. Nesta época eu tinha 15 anos e Nelson 19 anos. Após um ano de namoro, meu pai surpreendeu-nos de mãos dadas, trocando carinhos, ficou muito contrariado, chamou-me e pediu que eu escolhesse entre os estudos e o namoro. Lógico que eu respondi os dois. Ele tomou como uma afronta e a partir desse momento travou-se uma longa batalha. Estabeleceu regras rígidas, namorar somente aos sábados e domingos, só que todos os sábados passou a nos levar para o interior do município, só retornávamos domingo à noite, portanto de maneira sutil tentava nos afastar. A regra básica era terminar os estudos, pelo menos o Ensino Médio, para depois ter o direito de namorar.
Sofremos poucas e boas. Nesta época, conversava muito com a Irmã Gabriela, que era minha professora de Religião, História e Orientação Educacional. Ela me acalmava e pedia paciência, às vezes ela chamava nós dois para conversar e propositalmente ela nos deixava a sós, no jardim, com a desculpa que estava ocupada, nos deixando juntos para mais tarde nos chamar para a conversa. Ela tinha em seu caderno de chamada o nome do namorado ou namorada ao lado do nome de cada aluno(a), nós achávamos o máximo. Muitas vezes ela chegava na aula de Religião e perguntava quem havia trocado de amor, desta maneira ela fortalecia os vínculos e nos conhecia um pouco mais. Quando eu já estava noiva, recebi um cartão postal de Roma, onde ela estava e dizia “Aqui eu terminarei meus dias”. E me desejava muita sorte e felicidades.
Minhas irmãs e eu moramos por dois anos com essa família, Dona Eloá e Seu Luís. Eles tinham três filhas, Maria Aurora, Maysa e Vera Lúcia e o Luís Felipe (o cupido). Também moravam no pensionato Haiaiá, Francisco(irmãos) e Flavio. Todos na faixa etária de 13 a 18 anos, éramos muito unidos e divertidos. Dona Eloá era muito amiga e conselheira, seu Luís era militar e estabelecia regras muito rígidas e nos vigiava como se todos fossem seus filhos (as). Muitas vezes Dona Eloá nos deixava ir na discoteca às escondidas, era uma festa.
Nelson teve a ousadia de me fazer uma serenata, deu muito o que falar. Para nossa tristeza, Seu Luís foi transferido para a cidade de Livramento, nos separamos. Fomos morar com um casal italianos Sr Calisto e Zilá Trevisan, 9 filhos, alguns na Universidade, formamos um grupo muito divertido, lembro que na hora do almoço éramos doze pessoas ao todo. Íamos para a escola em uma camionete Rural amarela que fora adaptada, somávamos nove passageiros, constantemente éramos alvo de brincadeiras, quando o veículo era estacionado e desembarcava passageiros de todas as idades. Tornamo-nos bons amigos dessa família.
Em 1975, minha primeira irmã Ilza e eu fizemos matrícula no Curso Normal no Instituto de Educação Oswaldo Aranha, em Alegrete. Nesta época, meu pai comprou um apartamento, então mudamos, foi morar conosco a prima Helena, a primeira filha de minha tia Alvina, aquela que me ensinou as primeiras letras. Foi uma nova experiência, curso novo, realidade diferente outro grupo de colegas, professores, fui me adaptando. Confesso que tive algumas frustrações quanto à expectativa do Curso. Estagiei na Escola Demétrio Ribeiro, em 1978, com uma 3ª série, com 28 alunos, minha assessora, como chamavam na época, era a professora Eva Marlene. Obtive excelente aproveitamento o que me motivou a pensar no concurso para professora estadual e continuar na adorável profissão de professora. Neste mesmo ano, em março, nasceu meu primeiro sobrinho e afilhado, Marcello, filho da minha primeira irmã. Eu ajudei a cuidá-lo desde os primeiros dias de vida, tínhamos e temos um vínculo muito forte de carinho e amorosidade. Ele nos chama de Dinda e Dundo. Nesta época, o namoro continuava firme e Nelson e eu cuidávamos do nosso afilhadinho, pois trazíamos sempre para perto de nós. Nelson já havia retornado para Alegrete, pois de 76 a 78, ele trabalhou fora, Rosário, Livramento, Santiago. Foram tempos difíceis, sofridos pela separação, ficávamos até dois meses sem nos ver, correspondíamo-nos por carta, telefone. Em 1976, noivamos, apesar de toda a contrariedade e, colocamos as alianças, com muita simplicidade, mas com um significado muito especial, pois estávamos selando um compromisso, reafirmando nosso amor.
Em janeiro de 1979, foi minha formatura de professora, eu estava radiante, pois além do sucesso no estágio, eu não tinha empecilho quanto a firmar um compromisso maior, o casamento, que era a condição imposta pelo meu pai - o casamento era consentido após a formatura. Neste mesmo ano, perdi minha avó Vicentina ( mãe de meu pai ), todos nós ficamos muito tristes, pois ela morava sempre muito próxima a nossa casa e nos últimos meses havia estado conosco, sentíamos um vazio muito grande.
Em 7 de junho de 1980, Nelson e eu nos unimos pelos laços do matrimônio, se passara nove anos, nosso amor passou por muitas provações, lutamos, acreditamos, persistimos, resistimos e vencemos. Estávamos radiantes, era um dia de glória e muita felicidade.
Quando falo de felicidade, falo de amor, mas não necessariamente o amor eros, o amor corporal. Falo em amor como um motor que move a chama e conduz a patamares inacreditáveis de realizações. Apesar do amor que nutrimos um pelo outro, tivemos sempre o cuidado de não viver a vida do outro e sim vivermos um com o outro, vivendo também nossa própria vida, lutando por nossos ideais e não abrindo mão de nossos sonhos. Com a sensibilidade e o cuidado de nos aceitar como somos. Amar e ser amado, eis a questão maior do ser humano enquanto a reciprocidade for de ambos, as adrenalinas energizarão os belos momentos. Eu acredito que enquanto amamos, não temos tempo para invejar a prosperidade alheia. Também acredito que amar e ser amado (a) é uma forma de prosperidade em que riqueza interior transpassa nos olhos, na pele, na maneira de ver as coisas. Como cantava Vinícius de Moraes: “ Que seja eterno ou infinito enquanto dure”.
Em homenagem a ele escolhemos o nome do nosso primeiro filho, Vinícius, que nasceu no dia 15 de janeiro de 1982. Inexplicável a emoção de ser mãe, é uma bênção de Divina, um estado de graça. Vinícius sempre foi um menino saudável e tranqüilo e de certo modo privilegiado, pois, na época, da sua primeira infância, eu não trabalhava fora, tinha tempo para cuidá-lo com muita dedicação e carinho. Em 1991, fiz concurso para o Magistério, fui aprovada, estava aguardando a nomeação. Em janeiro de 1983, fiz vestibular para Pedagogia, na Fundação Educacional de Alegrete, fui aprovada e, em março, ingressei na Faculdade, mas não interferiu quanto aos cuidados ao Vinícius, pois Nelson, à noite, o cuidava.
Em 28 de setembro de 1983, nasceu Laurence, que completara nossa felicidade, pois chegava um companheirinho para Vinícius, que ficou radiante com o naninho, como ele chamava.
Em maio desse ano, fui nomeada e assumi de 5ª a 8ª série EA e ER, na Escola Estadual de Ed Fund. Freitas Valle. Na época era diretora a professora Roni Almeida, fui muito bem acolhida nessa escola, onde trabalhei por 23 anos, foi um verdadeiro laboratório de aprendizagem, convívios e trocas de experiências.
Em 1983, resolvi cancelar temporariamente a matrícula na Faculdade, pois fiquei preocupada com o bem-estar dos meninos, foi uma atitude sensata. Em 1984, retornei aos estudos e veio morar conosco uma prima, a Negra, como a chamávamos carinhosamente. Ela morou conosco por três anos e cuidava das meninas com muito zelo e dedicação.
Ah! Quando casamos, em 1980, o Nelson trabalhava no Hospital Militar de Alegrete, era funcionário civil. Em 1984, faleceu meu cunhado Moacir, irmão do Nelson. Moacir era um grande amigo e companheiro de todas as horas, tinha 35 anos, deixou 2 filhos, Leandro, 9 anos e Thiago com 7 anos. Faleceu em acidente no trevo de Santa Maria. Foi um período difícil para toda a família. Nelson ficou muito abalado, recolheu-se, isolou-se em sua tristeza, minha sogra Heleanora e Bisa Nina também nunca mais retornaram à vida normal.
A madrinha Zina e o Padre Holmes foram muito importantes neste período, como apoio para que aos poucos fôssemos voltando à normalidade.
Em 1987, felizmente a alegria voltara ao nosso lar, em 13 de outubro nasceu Guilherme, o nosso terceiro garoto. Agora éramos cinco, estávamos todos muito felizes e ao mesmo tempo, o Nelson e eu estávamos também preocupados, passamos a trabalhar mais, pois aumentaram as responsabilidades para proporcionarmos bem- estar e os cuidados essenciais, para um crescimento saudável num ambiente de amor e carinho.
Tudo corria bem, mas em 1989, fomos colocados à prova com o problema de saúde do Guilherme, que com um ano e três meses, foi hospitalizado e confirmado o diagnóstico – Diabete tipo I. Passamos por momentos de muita angústia e sofrimento. Permanecemos mais de mês no hospital junto do nosso pequeno que não reagia aos medicamentos. Neste período, Dr. Carlinhos Thompson Flores foi incansável, tenho eterna gratidão a ele e ao médico pediatra Barradinhas.
Após retornarmos para casa, tivemos que buscar forças e coragem para enfrentar o desafio de cuidá-lo de maneira adequada. Muitas vezes tivemos que sair às pressas na madrugada e a qualquer hora do dia. Fiquei afastada do trabalho por um ano. Guilherme é dependente da insulina, faz duas doses diárias.
De 1984 a 1987, trabalhei com Educação Infantil - Nível B, na Escola Freitas Valle, de outubro de 1987 a fevereiro de 1988, fiquei de LG. Retornei em março de 1988, assumi Laboratório de Aprendizagem e em março de 1990, entrei em LS para cuidar do Guilherme. Em 1991, retornei e assumi a Orientação Educacional, no turno da tarde. Neste ano, retornamos para o prédio novo da escola, na rua Barão do Amazonas. Em 1992, fiz concurso para Orientação Educacional, fui aprovada em 8º lugar, assumi em 1984, passando a trabalhar 40 horas semanais. No turno da manhã, na Biblioteca e, à tarde, no SOE. Nesta época, fiz Pós-Graduação em Organização Escolar na URCAMP/ Alegrete. Foi um período de muita aprendizagem, excelentes professores, grupo de colegas das mais diversas áreas profissionais, foram valiosas trocas. Em 1997, recebi uma convocação na matrícula de Orientação Educacional, passei para um Regime de 60 horas semanais. Assumi 20 horas na OE, na Escola Est. Dr. Lauro Dornelles, no turno da noite. Fui Vice-Diretora da Escola Est. Freitas Valle de 1999 a 2005, no turno da manhã. Em 2006, passei a trabalhar somente na Escola Estadual de Educação Básica Dr. Lauro Dornelles, no Serviço de Orientação Educacional, nos turnos manhã, tarde e noite.
Faço parte da Diretoria Colegiada do Núcleo de Orientadores Educacionais de Alegrete- NOEA, desde o ano de 2000 e temos como lema “Os Sonhos são projetos pelos quais se luta”. Também gosto de participar dos movimentos do Sindicato dos professores, das Assembléias, Seminários, Cursos. Atualmente estou freqüentando um Curso de Progestão.
Em 2002, passamos por mais um desafio, Laurence sofreu um acidente, teve traumatismo na cervical, ficou imobilizado vários dias no hospital, sofremos muito, foram momentos terríveis, pois não tínhamos a certeza se ele voltaria a uma vida normal, após dar alta ainda permaneceu por 60 dias com atenção especial usando colete. Para nossa alegria, ele se recuperou milagrosamente, joga futebol, tem uma vida normal. Hoje é atleta da Universidade e também gosta de montar cavalos rebeldes, sempre teve verdadeira paixão por desafios, que enfrenta com coragem e audácia.
Em 29 de novembro de 2003, estava no trabalho quando recebi a triste e derradeira notícia de que meu pai havia passado mal e estava no hospital, em estado grave. Ao chegar e saber da verdade, que ele tinha nos deixado, foi como soco no estômago, fiquei sem fôlego, sem rumo. Apesar de alguns desencontros no passado, nós éramos muito próximos, com o tempo ele e Nelson se tornaram grandes amigos. Foi um período doído, minha mãe ficou silenciosa e triste, foi uma luta árdua para trazê-la novamente ao convívio a participar dos nossos almoços em família. Até hoje muitas vezes me bate uma saudade, uma vontade imensa de voltar no tempo, ao mesmo tempo me acalmo, com a certeza de que ele está bem, pela pessoa que foi.
Nelson sempre diz que “O tempo refaz a vida e a vida refaz os sonhos”. Realmente aos poucos fomos retomando a vida, lutando pelos nossos sonhos e comprometimento com nossos adoráveis filhos.
Vinícius está com 26 anos, formado em Administração e Markting, atualmente é tutor na UNOPAR ( Universidade do Paraná), está com Adriana, uma adorável companheira, dedicada, profissional, formada em Direito. Laurence tem 24 anos, está no 6º semestre de Biomedicina na Universidade FEEVALE, em Novo Hamburgo, namora Luciana, que estuda em Santa Maria, Curso Pré-Vestibular. Laurence é atleta, joga no time de futebol da Universidade.
Guilherme tem 20 anos, é músico, guitarrista da Banda Pentagrama de Pop Rock, reside em Porto Alegre. Namora Layla, Acadêmica de Radiologia.
Falar em meus filhos, na minha família, é falar de alegria, desafios, perseverança, amorosidade, garra, talento, solidariedade, cidadãos de bem e razão maior de minha vida. Nelson, meu companheiro de muitas lutas é um ser admirável pelo seu caráter e sensibilidade. Além de seu trabalho na Imobiliária é poeta, compositor, cantor, reserva espaço para sua arte e muitas vezes faz parceria com Guilherme, que é um talento maravilhoso na área da música.
Com carinho dedico este poema a minha família:

Pessoas são Músicas

Elas entram na vida da gente e deixam sinais
Como a sonoridade do vento no final de tarde,
Como os toques de guitarras e metais
Presentes em cada clarão de manhã
Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas, compreendidas, interpretadas.
Para tocarem nossas vidas,
Com a mesma força do instante em que foram criadas,
Para tocarem suas próprias vidas,
Com toda essa magia de serem músicas.
E de poderem alçar todos os vôos,
De poderem vibrar em todos os sentidos
Que a elas foi dado pelo compositor.
Pessoas são músicas, com vocês, com quem tenho o praz\er de conviver.

Neste momento, lembro do refrão de uma música do cantor Gonzaguinha:
“Viver e não ter vergonha de ser feliz/ Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz./ Eu sei que a vida deveria ser bem melhor e será / Mas isto não impede que eu repita/ É bonita, é bonita, e é bonita.”
Eu acredito que em tempo algum, devemos perder nossos objetivos, nossos sonhos acreditando de que é possíel, não perdendo a direção de nossas vidas, unindo pensamento, vontade e ação para conquistar o que desejamos. Hoje sou muito grata a muitas pessoas que contribuíram para o meu processo de crescimento que se deu também pelo meu esforço pessoal e pela ajuda e contribuição de muitas mãos e vozes que me orientaram e me ampararam, contribuindo para a colheita de muitos frutos, bons frutos. Quando na minha vida cotidiana, deparei-me com novos ambientes, desafios, situações com um novo trabalho, muitas vezes tive a sensação inicial de uma certa insegurança, que até considero normal. Mas tenho tido o privilégio de compartilhar meu espaço de trabalho com pessoas que fazem a diferença, somando positivamente com o meu crescimento pessoal e profissional.
Então me pergunto, quem sou eu? Sou uma cidadã, mulher, mãe, profissional que luta por uma vida com maiores possibilidades. Luto cada dia para ser útil aos meus semelhantes. Também luto na conquista de objetivos e sonhos.
Na certeza de que falei com alma e coração no desejo de ser o mais transparente possível. Encerro minha fala com a alma apaziguada e convicção do cumprimento no que me propus, ao desafio de me aventurar em relatar minha história. Uma trajetória de vida contada, recontada sob a ótica de quem a viveu em seus diversos contextos.
Agradeço a Deus, a minha família, a professora Greice que me oportunizou o ingresso no Grupo de PROEJA, a meus colegas de Curso, ao professor que nos desafiou com este trabalho e ao meu grupo de colegas da Escola Estadual Lauro Dornelles pelo apoio e companheirismo.
Encerro com a letra de uma música de meu companheiro Nelson, que fala de Paz, História, Igualdade, Luta, Sonhos, Vida e Liberdade.


Raças Sem Fronteiras

Nelson Teixeira Mendes Filho

Acende
Uma chama sagrada
Nos corações
De quem faz a história
Guerreiros
Vão em busca da Paz
Conquistar
Novos horizontes,
Livres ideais
Replantar
A semente do amor
E fazer nossa gente entender
Que são tantos
Os filhos que o pampa perdeu
E a fé
Que desperta um povo
Se faz sangue novo
Correndo nas veias
E a última ceia
Lendas e cometas
Raças sem fronteiras
É o fogo no peito queimando
A essência da vida brotando
E o destino
Que faz peregrinos
Por longos caminhos
Eles vão cantando
Vida, viva a vida.
Viva a Liberdade
Viva, viva a vida
Viva a Liberdade
Gritos que despertam
Sonhos de igualdade.

Acredito que nenhuma história de vida é escrita sem a presença de mãos amigas que se
estendem em nossa direção.

Marlene Noetzold Mendes






6 comentários:

Bruna disse...

Muito lINDO SEU MEMORIAL MEUS PARABÉNS!

mary frança disse...

MARLENE,FIQUEI SIMPLESMENTE TOCADA COM O SEU MEMORIAL,POIS EM MUITOS ASPECTOS,SUA VIDA SE IDENTIFICA COM AMINHA.tAMBÉM ESTOU FAZENDO O CURSO DO pROGESTÃO E AQUI ESTAVA PROCURANDO UM ESPELHO PARA ELABORAR O MEU MEMORIAL,POIS AINDA NÃO TINHA FEITO NENHUM DURANTE A MINHA TRAJETÓRIA DE VIDA.pARABÉNS E MUITO OBRIGADA POR COMPARTILHAR CONOSCO ESSA MARAVILHA.lEMBRAREI DE VC QUANDO TERMINAR O MEU.

Arailza disse...

Parabens pelo seu memorial!!! qual livro e ano que Paulo Freire faz essa citaçao...Toda criança que um dia fica” grande” e “vira” uma pessoa adulta”, carrega pela vida a fora o menino ou menina que ela foi antes.”
bjs. desde já agradeço.

Arailza disse...

por favor envi para meu email;arailzamelo@hotmail .com o ano da citaçao de paulo freire

Ana Lucia Gera disse...

muito lindo,fiquei muito emocionada.


quero te agradecer pois serviu de modelo para eu fazer meu memorial descritivo pessoal.


te agradeço abraço

rafaella dantas disse...

JÁ LI MUITOS MEMORIAIS TENTANDO ACHAR INSPIRAÇÃO PARA FAZER O MEU, E DESTAQUEI QUE O SEU É SIMPLESMENTE MARAVILHOSO, VC ESTÁ DE PARABÉNS...